21 de fevereiro de 2014

O que você sugere para eu me desenvolver na plataforma Python?

Esse artigo será praticamente a transcrição de uma conversa que mantive por email com um colega que é membro da comunidade Python e, como muitos de nós, não ganha a vida com a linguagem que gosta.

Ele estuda análise de sistemas na faculdade, conhece Java, tem paixão por programação, mas trabalha em outra área de conhecimento. Assistiu minha palestra "Python na vida real, onde estão as vagas", e resolveu trocar umas ideias.

Na mensagem que ele me enviou, consta uma pergunta que vemos com frequência na lista Python Brasil:
Já participo ( Não muito atuante ) da Python Brasil, mas o que você sugere para um um bom desenvolvimento na plataforma Python pois já vi que alguns conceitos são diferentes do java.

Note que não vou entrar no mérito, nem no flame de comparar Java com Python. Isso eu já fiz num post que reflito sobre os motivos de alguém querer (ou precisar) aprender Java hoje em dia.

Segue abaixo o que eu escrevi para nosso colega, que talvez possa ajudar outras pessoas que também:

Talvez eu te desaponte com minha resposta, mas eu sugiro que você programe. É, parece óbvio, mas uma pessoa só se torna boa num determinado ofício se praticá-lo.

Programe um blog pessoal, programe um dicionário particular, programe uma lista de afazeres, programe uma integração da lâmpada da sua casa com um comando enviado pela internet, programe um drone... enfim, programe.

Às vezes deixamos de fazer coisas que nos darão um conhecimento mais aprofundado, por pensarmos que não temos condição (capacidade ou conhecimento suficiente) para tal.

Vou te contar uma história (real), do meu avô paterno. Ele se aposentou como alfaiate. Desde quando namoravam, minha avó dizia para ele ir à escola, mas ele sempre respondia: "Mas o que eu vou fazer lá? Eu não sei ler. Preciso trabalhar!". No que ela retrucava: "Mas a escola existe pra você aprender a ler". O tempo passou e ele não foi à escola. Minha avó fez o contrário. Estudou, se formou e passou a ganhar mais do que ele, apesar de todo o esforço que ele empreendia.

Fazendo uma analogia com o meu avô, às vezes eu me pego dizendo: "não vou fazer tal coisa porque não sei direito". Puxa, mas se eu fizer, vou ter pelo menos o que perguntar e as dúvidas serão esclarecidas durante o processo, certo? ;-) Daí, em algum tempo, serei capaz de fazer o que antes eu não sabia. É o processo natural de aprendizagem.

Portanto, apesar de ser a coisa mais óbvia, programe.

Naturalmente você vai sentir vontade de estudar o ecossistema da tecnologia escolhida (Python, no nosso caso): framework web, engine de GUI, testes automatizados, ferramentas de deploy, etc. Mas nada disso será útil sem você ter programado antes.

Refletindo um pouco sobre a situação do meu avô, ele deixou de estar em contato com pessoas que poderiam ajudá-lo a aprender mais, além de poder ajudar outras a serem melhores também. Por incrível que pareça, o pouco que sabemos pode ser "o muito" para quem ainda não sabe. E é justamente isso que fazemos no grande mundo de desenvolvimento de software. Nunca vamos saber tudo. Sempre vamos aprender, mas também sempre podemos ensinar.

Ano passado eu tomei coragem e fui participar de uma entrevista de seleção em uma empresa. Nela, eu ouvi o seguinte do entrevistador:
Você sabe usar Virtualbox? Levante duas máquinas virtuais e faça-as conversar em rede. Escreva um script de deploy automatizado nelas. Você não sabe usar testes automatizados? Faça um formulário simples e pratique. Você não sabe determinado framework? Faça um projeto pessoal nele. Mas faça!

Foi aí que eu me vi na mesma situação do meu avô: analfabeto fadado ao analfabetismo eterno.

Em uma segunda troca de mensagens com nosso colega, completei com o que eu esqueci de escrever na primeira resposta:
Ah, esqueci de dizer: participe da comunidade.

Escreva, faça um hangout, envie dúvidas pra lista, responda perguntas..., enfim, participe.

Especificamente sobre como participar de listas de discussão, recomendo que você saiba como fazer perguntas para ajudar os que tentam te ajudar.

Como dica adicional, descubra os repositórios Github de alguns membros da lista Python Brasil e colabore com os projetos deles. Como descobrir o endereço dos repositórios deles? Pergunte a eles.

Enfim, seja bem-vindo e participe.

Eu sou Vinicius Assef, um programador do século passado que gosta de Python, pratica Lean Development e acredita em Deus. Você pode me contactar por email ou twitter.

5 comentários:

  1. Coloco aqui um pensamento que penso completar o que foi escrito:

    "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez" Mark Twain

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  2. Sensacional a ideia.

    Muito válido principalmente para quem deseja migrar para Python.

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  3. Muito bom, estou iniciando em programação, não sei nenhuma linguagem, escolhi python pelos comentários na internet, logo estarei com muitas duvidas, conto com a comunidade.

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  4. Vinícius, isso é um verdadeiro "tapa na cara", uma verdade tão óbvia, mas ao mesmo tempo uma que a gente não para pensar.
    Valeu pelo post, é começar a programar cada vez mais agora! =]

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  5. Vinícius estou na mesma situação do André, vou me esforçar para aprender, sempre penso se alguém faz então não e impossível, se não faz, só irei saber se tentar! Obrigado pelo post.

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